
''Quem dera fosse um beijo.
O trabalho deveria ser reprimir o tráfico. Mas infelizmente, ao invés disso, o que temos presenciado diariamente são cenas lamentáveis de constrangimento aos banhistas que frequentam os postos 9 e 10 da praia de Ipanema, numa cidade muito longe, muito longe daqui, e que tem praias que parecem com as praias daqui. Falo desses lugares pois são os que frequento, e não teria embasamento pra falar de outros postos e praias. Mas digo o que tenho visto e vivido, que é justamente isso, essa vergonha. Vergonha pelo modo como Pms visivelmente mal treinados e mal educados tem abordado os frequentadores da praia em busca não sei do quê. Gente que está ali curtindo a sua praia, buscando lazer saudável, e de uma hora pra outra, com a chegada da polícia em suas 'caveirinhas', como poderiam ser chamadas - tamanho receio que impõem ao chegar - as motinhos com que trafegam pela areia, se vêem em posição de enorme constrangimento, ao terem suas coisas íntimas e pessoais revistadas sem motivo algum muitas vezes.
Quando por acaso são usuários (a grande maioria de maconha), estes são humilhados, xingados e ameaçados. Já está errado. Não deveria ser esse o tratamento dado. O usuário deveria ser encaminhado à uma delegacia se fosse o caso, com o devido respeito (isso de acordo com a Lei de drogas atual, que certamente ainda merece ampla discussão e reavaliação). Inclusive existem histórias de policiais que na tentativa de intimidar o usuário, ameaçavam-o de prisão, enquadrado no artigo 16. Valha me Deus.
O usuário não está, a princípio, incomodando ninguém, ninguém se queixou de nada e nem pediu a presença da polícia ali. Esse fato pode ser comprovado pela baixa incidência de confusões no local antes dos choques de ordem (ou de sei lá o que) serem implementados, e pelo modo como as pessoas que estão na praia reagem à presença dos Pms, vaiando, apitando, e até lhes atirando objetos. Então, nitidamente, se a presença de alguém ali não é bem-vinda, é a deles.
Talvez, se a forma de chegada fosse outra, se a forma de abordagem fosse outra, se o trabalho inteiro fosse feito de outra maneira, com educação, com respeito, tratando as pessoas com dignidade como devem ser tratadas, isso não acontecesse. Enxergariam os policiais como amigos e trataríam-nos com igual respeito.
Mas da forma como agem, parecem que - ao invés de contentes em desempenhar seu ofício, um ofício que poderia ser até bonito - estão mais é com inveja dos banhistas que por ventura podem estar ali tomando seu solzinho, seu mate com limão e seu banho de mar. Mostram raiva das pessoas. Desprezo pelos argumentos que sem sucesso estas tentam colocar ao serem abordadas.
E dá nisso. Saem vaiados.
Todo esse processo no meu entender só gera mais e mais raiva dos dois lados, e não resolve o que se propõe.
Se querem pegar alguém, que vão atrás dos megatraficantes, que exploram a miséria econômica, social e educacional do povo lucrando milhões às suas custas.
Mas esses incrivelmente parecem lhes escapar das mãos feito sabonetes. Teria esse fato alguma relação com os milhões citados?
Choques, sejam do que for, nunca foram bons.
Não é agora que passarão a ser.
Se acham bom, coloquem seus dedos na tomada.
Deixem o povo curtir sua praia à vontade, sem fazer mal à ninguém. Um dos únicos lazeres gratuitos e acessíveis atuais na nossa sociedade.
Fica um pedido também aos advogados de plantão que verifiquem se o processo usado é legal. E os canais de televisão que mostrem na real o que anda acontecendo'' (Rodrigo-Forfun)
Beijos, Mariana Salino ;*














Leia este blog no seu celular